segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Filosofia - Legado do Inconformismo Simone de Beauvoir

Vida & Arte

ENTREVISTA

Legado do inconformismo

Em entrevista ao O POVO por e-mail, a pesquisadora Deise Quintiliano Pereira fala sobre a importância dos escritos de Simone de Beauvoir para a história do pensamento do século XX.

19/01/2008 16:27


A pesquisadora Deise Quintiliano Pereira é também professora de literatura francesa no Rio de Janeiro(Foto: Divulgação) Nas práticas sociais, a liberdade era a principal bandeira defendida por Simone de Beauvoir. Com base no existencialismo como corrente filosófica que defendia, a filósofa e ensaísta francesa mantinha postura de vigilância crítica em relação à sociedade, ao lado de outros intelectuais, amigos e amantes que manteve ao longo de sua vida. "Talvez hoje, distanciados no tempo, ainda tenhamos alguma dificuldade em compreender o xeque-mate radical que o inconformismo de Simone impôs aos valores burgueses que ela própria encarnava", pontua a pesquisadora Deise Quintiliano Pereira, em entrevista por e-mail ao O POVO.

Doutora em Letras Neolatinas pela Ecole dês Hautes em Sciences Sociales, na França, Deise Quintiliano é professora de Literatura Francesa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde desenvolve pesquisas sobre a obra de Jean-Paul Sartre e de Simone de Beauvoir. Ela argumenta que Sartre respeitava profundamente o papel que Beauvoir exercia na sua vida intelectual. "Ela era a leitora mais atenta, o juiz mais rigoroso, o censor mais mortífero que ele tinha pela frente e era isso que incitava essa relação e a circunscrevia, a todos os níveis, no campo da reciprocidade, mais do que no da competição". (Camila Vieira)


O POVO - Agora que comemoramos o centenário de Simone de Beauvoir, qual o legado que o pensamento dela nos deixou e que ainda é pertinente para o mundo contemporâneo?
Deise Quintiliano Pereira - Creio que entre tantas mensagens que perpassam sua obra, o investimento na liberdade seja, sem dúvida, a pedra de toque que caracteriza o pensamento beauvoiriano e que nos deixa um riquíssimo legado nas práticas sociais e nas relações de trocas humanas: a invenção de novas formas de constituição da família, a noção do "casal contratual", a revisão generosa de uma orientação moral e social, em suma, a total impossibilidade de legitimar qualquer tipo, feição ou caráter de opressão.



OP - Tanto na ficção quanto na filosofia, os escritos de Simone de Beauvoir trazem preocupações do existencialismo, como a ética e a liberdade. Dentro desta corrente filosófica, como o pensamento dela se diferenciava?
Deise - A base do existencialismo funda-se justamente no conceito de liberdade. Nesse sentido, não há parâmetros rígidos, regras preestabelecidas ou categóricas a serem seguidas. O homem (e logicamente também a mulher) é livre... é pura liberdade. Como Sartre afirma em O Existencialismo é um Humanismo: "o existencialismo é uma doutrina que torna a vida possível e que declara, além disso, que toda verdade e toda ação implicam um meio e uma subjetividade humana". As linhas de fuga que podem ser atribuídas ao pensamento beauvoiriano - sobretudo as que dizem respeito às suas reflexões sobre questões específicas de uma lógica do feminino e da condição da mulher na sociedade - não a afastam, assim, no meu entender, desses pressupostos fundamentais que norteiam o movimento, menos ainda sua postura de eterna vigilância crítica para com a sociedade, os intelectuais, os amigos, os inimigos e os amantes que a circundavam.

OP - Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir viveram relacionamento pouco convencional que durou 50 anos. Como o pensamento de Beauvoir dialogava com o de Sartre? Na maioria das vezes, eles concordavam ou discordavam? Havia competição entre os dois?
Deise - Não obstante o que os detratores da obra de ambos afirmem, Sartre respeitava profundamente o papel que Simone exercia na sua vida intelectual. Ela era a leitora mais atenta, o juiz mais rigoroso, (carinhosamente denominado "meu doce juiz"), o censor mais mortífero que ele tinha pela frente e era isso que incitava essa relação e a circunscrevia, a todos os níveis, no campo da reciprocidade, mais do que no da competição. A opinião dela tinha a força de um veredicto, conforme ele afirma nos Diários de uma guerra esquisita. Ao longo de tantos anos, em se tratando de duas inteligências tão raras, é evidente que houve muita concordância e muita discordância, o que não impedia Sartre de reconhecer nela a figura do único interlocutor que realmente contatava, a ponto de refazer toda uma reflexão diante da não aquiescência ou de um simples torcer de nariz dela...

OP - Sartre e Beauvoir bancaram o "amor sublime" entre homem e mulher, com direito a cada um manter casos extraconjugais. Sartre não tinha interesse em dominar Simone. Sua liberdade o interessava, assim como seu talento e sua produção escrita. Nunca moraram na mesma casa. No entanto, a própria Simone de Beauvoir chegou a escrever que sentia falta de Sartre, quando ambos ficavam longe um do outro. Para ela, que lutou pela independência e tentou construir uma relação de igualdade com Sartre, tal relação de dependência não parece contraditória?
Deise - Absolutamente. Em primeiro lugar, é importante ressaltar que vejo com muito bons olhos as contradições, os paradoxos, as aporias que caracterizam obras, pessoas, personagens. Considero que a riqueza maior do pensamento humano insira-se nas brechas abertas pelo conflito, pelas contradições, pelas mudanças inesperadas, pelas releituras, em suma, por tudo o que permita ao homem e à mulher reinventarem-se a cada dia. Contudo, no que diz respeito à relação Beauvoir-Sartre, cabe lembrar que dentre tantas inovações, eles também conseguiram estabelecer a distinção entre amor necessário e amor contingente. A falta que Simone sentia de Sartre inscreve-se, sem dúvida, nessa necessidade que era, aliás, recíproca.



OP - Como você interpreta o desenvolvimento do movimento feminista, após a publicação do livro O Segundo Sexo, em termos da própria trajetória de Beauvoir como intelectual?
Deise - O Segundo Sexo é o diamante mais lapidado do pensamento beauvoirianoo texto fundador que conglomera, pela primeira vez na história, reflexões esparsas de célebres, lúcidas e destemidas predecessoras, como Virginia Woolf ou Mary Woolestonecraft, que ousaram se afastar dos caminhos regrados pela tradição, inventando o feminismo europeu antes mesmo que o termo fosse criado. Há quase 50 anos reivindicado como o livro do movimento feminista, O Segundo Sexo visava responder a pergunta "o que é uma mulher?", reescrevendo a história das mulheres à luz da biologia e da sociologia, sem abdicar de sua ancoragem concreta na filosofia. Desprovida de qualquer sentimento de acerto de contas ou de revanchismo, Simone vislumbra com essa publicação colocar abaixo estereótipos, lugares comuns, preconceitos, tabus e afirmações peremptórias sustentadas durante milênios por grandes pensadores e significativa parte da intelligentsia, empedernindo a mulher num destino cristalizado e predeterminado. Aos 37 anos, ela já havia publicado A Convidada, Pyrrhus e Cinéas e escrito a peça As Bocas Inúteis, porém continuava sendo reconhecida como "a companheira de Sartre" e observaria, mais tarde, que jamais alguém tinha imaginado considerar Sartre como "o companheiro de Simone de Beauvoir". Talvez, o advento de O Segundo Sexo tenha tornado, para muitos e muitas, essa aspiração possível.

OP - Se Beauvoir ainda estivesse viva, como a senhora acredita que ela enfrentaria alguns desafios atuais?
Deise - Sem nenhuma serenidade... Sem qualquer cerimônia ou burocracia... Com o mesmo rigor com que enfrentou os problemas de sua época e com o vigor de quem abraça apaixonadamente uma causa. De maneira inexpugnável, livre, clara e contundente. Com respeito ao indivíduo e às causas da liberdade de si e do outro. Com a força de suas convicções e a ousadia de seu pensamento. Apostando no individual em detrimento do "global", na liberdade em contraposição à opressão, defendendo a paz e se opondo aos interesses tentaculares que subjazem às guerras. Como sempre: com lucidez, coragem, coerência e altivez. Com certeza, não subiria no palanque de Nicolas Sarkozy

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Sociologia

O Paradoxo do nosso tempo ( George Carlin)

“O paradoxo do nosso momento na História é termos prédios mais altos, mas paciência curta; rodovias mais largas, mas pontos de vista mais estreitos.

Nós gastamos mais, mas possuímos menos; compramos mais, mas aproveitamos menos.

Nós temos casas maiores e famílias menores, mais conveniência e menos tempo; nós temos mais diplomas, mas menos razão; mais conhecimento, mas menos juízo; mais especialistas e ainda mais problemas, mais medicina, mas menos bem-estar.

Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critério, dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais, e rezamos raramente. Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.

Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente.

Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.

Fomos e voltamos `a Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio. Fizemos coisas maiores, mas não melhores.

Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos.

Aprendemos a nos apressar, e não a esperar.

Nós construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos. Estamos na era do ‘fast-food’ e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.

Essa é a era do dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados. Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos copos obesos e das pílulas que fazem tudo, de animar a acalmar, matar.

Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.

Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão aqui para sempre.

Lembre-se de dizer uma palavra gentil a alguém que te admira com fascinação, pois essa pequena pessoa logo irá crescer e abandonar sua companhia.

Lembre-se de dar um abraço carinhoso a quem está do seu lado, pois esse é o único tesouro que você pode dar com seu coração, e não custa um centavo sequer.

Lembre-se de dizer ‘eu te amo’ a sua companheira (o) e às pessoas que ama, mas em primeiro lugar, ame. Um beijo e um abraço curam a dor quando vem de lá de dentro.

Lembre-se de segurar a mão e enaltecer o momento, sabendo que um dia aquela pessoa não estará mais aqui.

Conceda-se tempo para amar, conceda-se tempo para falar, conceda-se tempo para compartilhar os seus preciosos momentos.

O segredo da vida não é ter tudo que você quer, mas querer tudo que você tem!”

Carpe Diem!!!!

Pedidos 3ºano - Julio

Dúvidas Julio Cesar – 3ano

Pindorama – período ao qual antecedeu Pedro Álvares Cabral, conhecido também como período pré cabralina - em tupi-guarani pindó-rama ou pindó-retama; "terra/lugar/região das palmeiras. Foi o nome que o Brasil tinha dado pelos índios.

Em: http://www.rosanevolpatto.trd.br/lendapindorama1.htm - lerá um poema sobre as palmeiras do Brasil.

A palavra “Pindorama” significa Terra das Palmeiras, não só pelo fato de no Brasil ter variedades infinitas de palmeiras – babaçu, carnaúba, coqueiro, palmito etc – mas principalmente pela visão indígena que a Terra-Mãe é sustentada por quatro palmeiras, que possibilitam as quatro respirações das quatro raças que se transformarão na virada dos tempos em uma quinta – o povo dourado, expressão da superação de raças e da premência dos valores culturais.

Pindorama também é um nome antropológico que se dá ao estudo dos valores e culturas indígenas.

Governo de Maurício de Nassau

Para consolidar sua conquista, a Companhia nomeou como governador o conde João Maurício de Nassau, que atuou nos domínios holandeses de 1637 até 1644. Nassau logo percebeu que, para pacificar a região e melhor poder administrá-la, teria que estabelecer boas relações com seus moradores mais ilustres, os senhores de engenho. Para tal, proibiu a agiotagem praticada por agentes holandeses e conseguiu auxílio financeiro, na forma de crédito, para que reconstruíssem seus engenhos, destruídos nos cinco anos de combate. Diminuiu os tributos e ainda conseguiu a encampação das dívidas de alguns senhores, sustando, também, a penhora de seus bens. Além disso deu maior liberdade na venda de açúcar, cuja produção vinha se normalizando, e garantiu a liberdade religiosa aos cristãos. Esta medida gerou insatisfação entre os calvinistas (protestantes) holandeses.

Nassau também se preocupou com o embelezamento e a modernização de Recife, pavimentando ruas, drenando pântanos, construindo pontes e canais sobre os rios Capiberibe e Beberibe, transformando o pequeno vilarejo em moderno centro urbano. Trouxe também para Recife várias missões artísticas e científicas, procurando criar um ambiente cultural semelhante ao que se desfrutava na Europa.

Guerra contra Oribe e Rosas

A Guerra contra Oribe e Rosas aconteceu em 1851, foi um conflito envolvendo os países da bacia do rio Paraná. A origem de tudo foi quando o presidente argentino Juan Manuel de Rosas, uniu-se ao então ministro da guerra do Uruguai, Manuel Oribe, na tentativa de constituir um país único.

Isso era definitivamente ruim para os interesses da Inglaterra, França e do Império brasileiro, que combateram o plano de Oribes e Rosas. O presidente do Uruguai, Fructuoso Rivera e os unitaristas argentinos também eram contra a tentativa.

Durante a guerra, o governo brasileiro usou a posição estratégica do rio Paraná para combater as forças argentinas. Após algumas tentativas, uma força composta por tropas brasileiras sob o comando de Luís Alves de Lima e Silva, argentinas sob o comando de Justo José de Urquiza, e uruguaias sob o de Fructuoso Rivera, invadiram o território das Províncias Unidas do Rio da Prata (1852), em Buenos Aires, Rosas foi definitivamente derrotado, preso e levado para Londres em uma embarcação do governo inglês.

Guerra do Contestado

Movimento político e ideológico de inspiração fascista ocorrido no Brasil na década de 30. Busca um Estado autoritário e nacionalista; uma sociedade baseada em hierarquia, ordem e disciplina social; e o reconhecimento da suprema autoridade política e jurídica do chefe da nação sobre indivíduos, classes e instituições. Alguns de seus ideólogos, como Gustavo Barroso, dão ao integralismo um fundo racista, defendendo a superioridade da população branca brasileira sobre negros, mestiços e, especialmente, judeus.
Já nos anos 20 o pensamento nacionalista brasileiro desenvolvia uma vertente conservadora. Entre seus entusiastas estão intelectuais de variadas formações e tendências, como o sociólogo Oliveira Viana, o jornalista, professor e político Plínio Salgado e o pensador católico Jackson de Figueiredo. Mesmo sem atuar como grupo, eles têm em comum posições políticas nacionalistas, antiimperialistas e anticomunistas, criticam a democracia liberal e defendem os regimes fascistas, que começam a despontar na Europa.
Ação Integralista Brasileira– Em 1932, Plínio Salgado e Gustavo Barroso fundam em São Paulo a Ação Integralista Brasileira (AIB), de inspiração nazi-fascista. Seu programa mistura idéias nacionalistas e a defesa da autoridade do Estado diante da "anarquia liberal" com o lema "Deus, pátria e família". Os militantes vestem camisas verdes e saúdam-se com gritos de Anauê! – interjeição que em tupi quer dizer "ave" ou "salve". A AIB recebe a simpatia imediata de importantes setores conservadores empresariais, militares, religiosos e até sindicais e logo se transforma em partido político. Em menos de quatro anos, a organização reúne mais de 300 mil adeptos, expande a militância por todo o país e entra em choques freqüentes com grupos democráticos. Em 1935 aprova a repressão à Intentona Comunista. Plínio Salgado lança-se candidato à Presidência da República nas eleições previstas para 1938. Elas, porém, não se realizam.

Com o golpe que instala o Estado Novo, os partidos são extintos e o espaço político do integralismo é reduzido. Desiludidos com Getúlio Vargas, os integralistas promovem o assalto ao palácio presidencial no Rio de Janeiro e pensam contar com a proteção do Exército para tomar o poder. Mas o presidente obtém o apoio da cúpula militar, e o golpe fracassa. Os integralistas são perseguidos e seus líderes, presos. Plínio Salgado é exilado em Portugal, e o movimento desarticula-se.

Tenentismo – 18 do forte – coluna Prestes

Porta-voz de idéias democráticas e liberais na década de 1920, em dez anos o movimento revolucionário dos "tenentes" desenvolveu um projeto social explicitamente contrário à democracia liberal repudiada sob a alegação de constituir um modelo estrangeiro e passou a propor a instalação de um estado forte e centralizado que, apoiado numa estrutura social corporativista, seria capaz de determinar objetivamente as "verdadeiras" necessidades nacionais. Com esse caráter, foi uma das forças motrizes da revolução de 1930.


O Tenentismo foi um movimento liderado por oficiais de baixa patente, descontentes com o presidente Artur Bernades e com a velha e tradicional política da República das Oligarquias. Foram movimentos tenentistas: Os 18 do Forte de Copacabana, 1922; A Revolta de São Paulo, 1924 e a Coluna Prestes, 1225 – 1927. O tenetismo teve como liderança de grande destaque a figura de Luiz Carlos Prestes, que ficou conhecido nacionalmente como o Cavaleiro da Esperança.


Tenentismo foi o movimento político-militar revolucionário que tomou corpo no Brasil a partir de 1922, sob a forma de uma série de levantes em todo o território nacional. Basicamente integrado por oficiais de baixa patente -- entre os quais Luís Carlos Prestes, Juarez Távora, Eduardo Gomes, Siqueira Campos, Juraci Magalhães, Cordeiro de Farias, Ernesto Geisel e Artur da Costa e Silva, o tenentismo contou posteriormente com a adesão de civis, como Osvaldo Aranha e Virgílio de Melo Franco. O elitismo militar levou os tenentes, na década de 1930, a adotarem uma atitude paternalista e autoritária quanto às decisões que afetassem a vida da população, que não estaria capacitada a participar da revolução ou escolher seus representantes antes de ser submetida a um processo educativo.

Desinteressados do grande apoio popular que receberam durante uma década e em conflito com os outros grupos que fizeram a revolução, os tenentes viram-se isolados e afastados do poder em poucos anos. A partir de 1932, o movimento foi enfraquecido pela reorganização pós-revolucionária do estado, exigida pelas próprias oligarquias agrícolas em nova correlação de forças, pela retomada da hierarquia interna do Exército e pelas cisões ideológicas entre os próprios tenentes. Seus integrantes filiaram-se, de forma dispersa, a organizações as mais diversas, como o integralismo, a Aliança Nacional Libertadora, o Partido Comunista Brasileiro, os partidos socialistas e os movimentos católicos, o que denota inequivocamente a incoerência ideológica do grupo.

Antecedentes

A estrutura política da República Velha no Brasil não permitia a existência efetiva de uma oposição e tornava inócuo o processo de substituição dos governantes que durante várias décadas haviam representado as oligarquias agrícolas de São Paulo e Minas Gerais e se revezavam no poder, num processo conhecido como a "política do café-com-leite". O proletariado urbano recente, disperso, pouco numeroso e inconsciente de seu papel era a contrapartida das populações rurais, espelho do atraso social em todos os aspectos. Nesse contexto, os jovens oficiais das forças armadas, organizados corporativamente na instituição militar, representavam uma possibilidade ímpar de expressão do inconformismo político. O tenentismo expressou também a revolta contra as duras condições de vida a que eram submetidos os tenentes, que constituíam mais de sessenta por cento dos oficiais do Exército, enquanto a cúpula de marechais e generais usufruía de privilégios concedidos pelas elites dominantes, que assim controlavam a ação do Exército como um todo.

Primeiros levantes

Na República Velha, as disputas entre as oligarquias constituíam a maior ameaça à estabilidade do sistema. Contra o grupo hegemônico dos mineiros e paulistas então representado pelo governo de Epitácio Pessoa, um civilista, e por seu candidato, Artur Bernardes uniram-se as elites dos outros estados na Reação Republicana, que lançou a candidatura de Nilo Peçanha, apoiada pelos militares. A tensão aumentou com a publicação das "cartas falsas", atribuídas a Bernardes, que insultavam o Exército. A derrota eleitoral do candidato oposicionista motivou uma conspiração militar para impedir a posse de Bernardes.

Ocorreram levantes isolados, entre os quais o do forte de Copacabana, que terminou com o episódio conhecido como o dos "Dezoito do Forte", em 5 de julho de 1922. Outras rebeliões militares se seguiram em 1924, sobretudo em São Paulo e no Rio Grande do Sul. A evolução do movimento trouxe propostas políticas mais concretas ao conjunto da sociedade e passaram a segundo plano as reivindicações corporativistas. A partir desse momento, o tenentismo conquistou a simpatia popular nas cidades, embora não tenha ocorrido nenhuma mobilização de massas, nem mesmo tentativas de articulação com as dissidências oligárquicas.

Coluna Prestes

Encurraladas pelas tropas legais, as tropas revolucionárias retiraram-se das cidades sem se dispersar e, em meados de 1924, tornaram-se guerrilheiras. Unidas na coluna Prestes, as forças rebeldes incitaram a revolução armada em todo o território nacional. Assim, marcharam cerca de 24.000km e atravessaram 11 estados, mas todos os levantes por elas incentivados fracassaram. Em 1926, ao fim do mandato de Artur Bernardes, a quem pretendia depor, a coluna se dispersou e o comando revolucionário exilou-se em países da América do Sul.

O elitismo militar dos tenentes fez com que perdessem a oportunidade de liderar uma organização política de grande penetração na sociedade civil. As oligarquias agrícolas da oposição organizavam-se, enquanto isso, em partidos políticos, que se tornaram também canais de expressão para a população urbana insatisfeita. O Partido Democrático (PD) e o Partido Libertador (PL), que haviam alcançado representatividade social, iniciaram contatos com os tenentes exilados para a articulação de um novo movimento revolucionário. As alianças estabeleciam-se sobre bases precárias, pois enquanto os tenentes mantinham-se fiéis à idéia de uma revolução armada e golpista, as elites procuravam o caminho eleitoral. Em 1928, Prestes, o líder dos tenentes, rompeu explicitamente com os partidos políticos das elites e aceitou uma aproximação com o Partido Comunista do Brasil (PCB), quando tomou contato com o marxismo.

Integralismo

Movimento político e ideológico de inspiração fascista ocorrido no Brasil na década de 30. Busca um Estado autoritário e nacionalista; uma sociedade baseada em hierarquia, ordem e disciplina social; e o reconhecimento da suprema autoridade política e jurídica do chefe da nação sobre indivíduos, classes e instituições. Alguns de seus ideólogos, como Gustavo Barroso, dão ao integralismo um fundo racista, defendendo a superioridade da população branca brasileira sobre negros, mestiços e, especialmente, judeus.
Já nos anos 20 o pensamento nacionalista brasileiro desenvolvia uma vertente conservadora. Entre seus entusiastas estão intelectuais de variadas formações e tendências, como o sociólogo Oliveira Viana, o jornalista, professor e político Plínio Salgado e o pensador católico Jackson de Figueiredo. Mesmo sem atuar como grupo, eles têm em comum posições políticas nacionalistas, antiimperialistas e anticomunistas, criticam a democracia liberal e defendem os regimes fascistas, que começam a despontar na Europa.
Ação Integralista Brasileira– Em 1932, Plínio Salgado e Gustavo Barroso fundam em São Paulo a Ação Integralista Brasileira (AIB), de inspiração nazi-fascista. Seu programa mistura idéias nacionalistas e a defesa da autoridade do Estado diante da "anarquia liberal" com o lema "Deus, pátria e família". Os militantes vestem camisas verdes e saúdam-se com gritos de Anauê! – interjeição que em tupi quer dizer "ave" ou "salve". A AIB recebe a simpatia imediata de importantes setores conservadores empresariais, militares, religiosos e até sindicais e logo se transforma em partido político. Em menos de quatro anos, a organização reúne mais de 300 mil adeptos, expande a militância por todo o país e entra em choques freqüentes com grupos democráticos. Em 1935 aprova a repressão à Intentona Comunista. Plínio Salgado lança-se candidato à Presidência da República nas eleições previstas para 1938. Elas, porém, não se realizam.
Com o golpe que instala o Estado Novo, os partidos são extintos e o espaço político do integralismo é reduzido. Desiludidos com Getúlio Vargas, os integralistas promovem o assalto ao palácio presidencial no Rio de Janeiro e pensam contar com a proteção do Exército para tomar o poder. Mas o presidente obtém o apoio da cúpula militar, e o golpe fracassa. Os integralistas são perseguidos e seus líderes, presos. Plínio Salgado é exilado em Portugal, e o movimento desarticula-se.